Juliana Ali: Entrevista

Provavelmente não existe uma alma vivente neste planeta que nunca ouviu uma música. Quando ainda não temos a noção de mundo, nossa mãe canta para que o sono chegue ou para que o choro pare. Depois, para festejar a passagem dos anos cantam o famoso “Parabéns pra você”. Até as plantas e animais crescem e se acalmam ouvindo música.

Além disso, é possível contar uma vida inteira apenas com as músicas que ouvimos e que nos trazem lembranças; retratar um momento importante da nossa história; exaltar o amor ou como forma de protesto. Entretanto, a música também pode se aliar a moda e ressaltar ainda mais os aspectos comentados.

Com o surgimento da internet ficou muito mais fácil se conectar com o mundo e saber com mais rapidez as tendências e novidades que surgem. Neste caso, os blogs tiveram um papel todo especial para fazer a ligação entre o mundo em que vivemos e o mundo das celebridades de uma forma mais “íntima”.

Hoje, podemos interagir e compartilhar informações que antes não seriam tão fáceis de obter. Neste contexto, Juliana Ali do blog Juliana e a Moda traz até nós o que acontece no mundo de uma forma diferente e totalmente particular, mostrando que a tendência existe, mas que acima de tudo, precisamos ter personalidade. Nesta primeira entrevista sobre moda, comportamento e música, nada mais justo do que conversar com alguém que usa a moda ao seu favor e mostra que ser diferente é o “new black”.

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MG – Qual a sua primeira lembrança musical?

Juliana Ali – Acho que a primeira mesmo foi o filme “Yellow Submarine dos Beatles”. Lembro que minha mãe colocou para eu assistir quando eu era muito, muito pequena mesmo. Talvez com uns quatro ou cinco anos. Lembro que adorava as cores e a música. Fiquei apaixonada.

MG – Qual a relação que você faz entre a música e mundo fashion?

Juliana – Uma simplesmente não vive sem a outra. As bandas e os artistas não apenas divulgam para a galera cada nova tendência, como criam tendências do nada. É uma via dupla, entende? A moda alimentando a música e vice versa. Pense nos punks, por exemplo. A gente não estaria usando tachas nesta temporada se eles não tivessem lançado essa tendência lá no final dos anos 70.

MG – Sabemos que o estilo musical pode influenciar a personalidade, o modo de pensar e ver a vida e principalmente de se vestir. Em algum momento a música te influenciou?

Juliana – A música me influencia desde sempre, em todos os sentidos. Sou apaixonada, ouço o tempo todo, fui jornalista musical antes de trabalhar com moda e meus ídolos vêm todos do mundo da música, assim como meu estilo. Acho que a música tem uma capacidade tão grande de influenciar as pessoas que o som que você ouve na adolescência pode moldar sua vida inteira.

MG – A música realmente tem o poder de influenciar as massas?

Juliana – Affffff demais!!! Todo mundo que já esteve em um show de arena sabe disso. A música traz uma sensação de união e de pertencer. Não tem instrumento mais forte (sem trocadilho, hehe) …

MG – Cada década teve um estilo próprio tanto nas roupas, na decoração e no estilo musical. Qual a sua década favorita?

Juliana – Nossa, é difícil. Adoro o folk dos anos 70, cresci ouvindo, por causa da minha mãe. Os anos 80 concentram o maior número de bandas que amo de paixão. Os anos 90 foram os que vivi intensamente, o grunge me marcou demais. Agora, se estamos falando de roupa, acho que os 70s foram os mais cool.

MG – Qual o seu estilo musical favorito e qual o show que pode ser considerado inesquecível?

Juliana – Definitivamente o hard rock dos anos 80, o tal do metal farofa hehehehee. Até hoje não tem som que me anima mais do que Def Leppard, Skid Row, Guns, essa galera. Mas o show inesquecível não é de nenhum deles. Acontece que tenho um irmão 10 anos mais novo do que eu, e quando ele tinha seis anos (e eu 16) o levei para comprar seu primeiro CD. Era um disco do Pearl Jam, isso aconteceu no auge do grunge. Ele se apaixonou para sempre. Virou músico. Toca guitarra, bateria, piano, canta. Tem uma tatuagem no peito com a capa de Vitalogy. Então, eu sempre tinha dito que uma das coisas que queria fazer antes de morrer era ver um show do Pearl Jam ao lado dele. Na primeira vez que a banda veio ao Brasil, realizei esse sonho. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Passamos o show todo abraçados e cantando aos berros. Quando tocaram “Betterman” (‘nossa’ música), comecei a chorar!!! Fiquei sem voz dois dias depois desse show.

MG – A música do norte do País é cada vez mais ouvida no mundo inteiro e os artistas tem uma forma toda diferente de se produzir. Como você vê esta moda? Tem alguma relação com estilos internacionais como Lady Gaga?

Juliana – Acho divertido, acho colorido, acho sexy, acho cafona, acho tãoooo brasileiro!!! Não é um som, nem uma moda que curto pessoalmente, mas acho um movimento superdivertido e alegre. Tudo o que é divertido e alegre me encanta. E acho que tem TUDO a ver com Lady Gaga!!! O engraçado dela é que ela virou musa de todo o tipo de gente e seu estilo foi se transformando de acordo com a visão de cada um desses tipos. Acho bárbara a “tradução brasileira” para o estilo Lady Gaga.

MG – Os anos 80 foram, para muitos, a melhor década, a mais irreverente, colorida e alegre. Essa volta das cores ácidas, estampas coloridas e exageros como max colares e multi pulseiras está diretamente relacionada com essa década?

Juliana – Ô!!! Eu era criança nos anos 80 e usava essa porra toda. E adorava!!! E continuo adorando. Cara, lembro como se fosse hoje o dia em que eu achei um brinco de cruz pra comprar pela primeira vez. Eu tinha uns dez anos, era de plástico, gigante e pink coloquei e me senti a Madonna. E adivinha o que está bombando agora mesmo, de novo? O tal do brinco de cruz.

MG – O MusicGround tem um espaço onde os membros podem compartilhar links de download de cds e videos e isso é visto com maus olhos pela indústria musical. Qual a sua opinião sobre isso? Você costuma fazer download de musicas e vídeos ?

Eu sei que é polêmico, mas eu vou falar a verdade: nem tenho mais cd nem dvd na minha casa. Nem os discos, nem os aparelhos. Se alguém me der um dvd, nem tenho como assistir. Eu baixo tu-do. Não sei se penso muito nas consequências macro, mas acho que a democratização e acessibilidade que a Internet dá é demais. É pirataria, mas por outro lado todo mundo faz isso e não vejo os artistas ficando mais pobres.

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MG – O MusicGround tem um espaço onde os membros podem compartilhar links de download de cds e vídeos e isso é visto com maus olhos pela indústria musical. Qual a sua opinião sobre isso? Você costuma fazer download de musicas e vídeos?

Juliana – Eu sei que é polêmico, mas eu vou falar a verdade: nem tenho mais cd nem dvd na minha casa. Nem os discos, nem os aparelhos. Se alguém me der um dvd, nem tenho como assistir. Eu baixo tu-do. Não sei se penso muito nas consequências macro, mas acho que a democratização e acessibilidade que a Internet dá são demais. É pirataria, mas por outro lado todo mundo faz isso e não vejo os artistas ficando mais pobres.

MG – Como e quando surgiu a ideia do Blog?

Juliana – Eu era editora de moda da Revista NOVA. Antes dos 30, já tinha realizado meu sonho de adolescência, que era ser editora de moda de uma grande revista. Aí, comecei a notar os blogs, como cresciam, como influenciavam e como estavam virando uma mídia importante. Pensei: ei, eu posso fazer isso! Aliás, acho que eu amaria fazer isso!!! E eu fiz. E acabei largando tudo para ser blogueira. Meio que comecei de novo. Foi a melhor coisa que fiz na vida. Nunca fui tão feliz nem me senti tão realizada. Amo demais o que faço.

MG – Já se considerou uma escrava da moda? E o que acha das pessoas que só vestem o que está na moda sem se importar se combina com o seu próprio estilo?

Juliana – Acho esse termo “escrava da moda” muito complicado. A única coisa que sei é que estilo pessoal é como gosto musical: se você diz que “é eclético”, gosta de tudo, é porque não gosta de nada. Quem tem paixão tem opiniões fortes. Sabe muito bem o que gosta e o que quer. E eu sou assim, quanto à moda e quanto à música. Quero conhecer as novidades o tempo todo, mas sei muito bem o que é minha cara e o que não tem nada a ver comigo.

MG – Qual a sua opinião sobre a ditadura da beleza? Ainda existe um padrão de magreza para as modelos ou isso está ficando menos rígido?

Juliana – As duas coisas: ainda existe o padrão de magreza, mas está ficando menos rígido aos poucos. Minha opinião sobre essa ditadura é TOTAL HORROR. Tenho horror a padrões, quaisquer que eles sejam. Gosto de diferenças. Vejo beleza em algumas magrelérrimas, e em outras gordésimas. Só não vejo beleza na perfeição, que é o que esse mundo vive pregando. Vai ficando todo mundo igual. As nossas imperfeições são o que nos definem. Diana Vreeland, a maior editora de moda da história, dizia assim: “Não tente disfarçar seus defeitos. Chame a atenção para eles e transforme-os em sua maior beleza”.

MG – Existe um caso polêmico envolvendo um vídeo seu sobre a customização de uma camiseta do Gun’s N Roses e que não foi muito bem recebido pelos True Fãs da banda. O que você achou sobre isso?

Juliana – Hahahahahaha eu sei!!!! Fiquei passada!!! Era pra ser uma homenagem, não uma maneira de detonar a banda!!! Po, Guns é a banda da minha vida!!!! Minha preferida de todas!!! Eu queria detonar a camiseta, não o Guns! Aliás, o irônico é que escolhi justamente uma camiseta do Guns para mostrar como adoro a banda, e a galera entendeu tudo errado! Tem comentário lá no vídeo dizendo que eu estou “fazendo cara de má e de prazer” enquanto detono hahahahhahaha Gente, que fique claro: eu amo camiseta detonada e detonei a do Guns por puro amor a banda!!!

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polêmica envolvendo a customização de uma camisa do Guns

MG – Olhando o seu blog podemos dizer que existe um carinho todo especial entre você e as suas leitoras, pois responde a todos os comentários e isso estimula a participação e fidelização. Como aconteceu isso? Foi algo planejado?

Juliana – Isso aconteceu porque me apaixonei por ser blogueira JUSTAMENTE por causa da possibilidade de me relacionar com o público tão de perto. Quando eu trabalhava em revista, era uma burocracia total até chegar ao consumidor final do meu trabalho: o leitor. Eles tinham que mandar email para um determinado endereço, havia uma triagem, e um ou outro chegava a mim. Hoje, posso falar rapidinho com cada um que comenta no blog. Eu adoro!!! Adoro conhecer quem me lê, adoro saber o que pensam, adoro “conversar” via comentários. Também respondo cada email de leitor que recebo. Demora mais, porque são muitos e às vezes requerem uma atenção mais especial. Mas sempre respondo. Isso acabou virando uma coisa incrível para o meu trabalho. Formei um grupo de leitores extremamente fiel. Aliás, tem uma história engraçada quanto a isso. Uma vez, estava comentando sobre os maiores blogs do Brasil, e nos perguntando porque ‘julianaeamoda’ não é o mais acessado, mas é um dos mais influentes hoje. Eu disse pra ele: “É que ‘julianaeamoda’ é como o metal. Não tem o mesmo número de fãs que o pop tem, mas os fãs dele são fiéis até o fim. Não largam o osso e defendem com unhas e dentes.” E acho que é assim justamente por causa dessa relação que criei com meus leitores.

MG – Você trabalhou em uma grande editora e começou escrevendo sobre música. Conte um pouco sobre essa época e como ocorreu a mudança da música para moda e o que te levou a sair para fazer um blog?

Juliana – Era demais escrever sobre música! Foi uma das épocas mais divertidas da minha vida, mas também era um meio difícil para uma mulher. A maioria dos jornalistas musicais é homem, e eles, a princípio, não confiavam que uma menina entendia de música. Demorou para conquistar meu espaço!!!! Mas conquistei e foi bárbaro!!!! Lembro que meu maior momento nessa época foi cobrir o Rock In Rio de 2001. Cara, passei dez dias no Rio e vi TO-DOS os shows. E depois, me pagavam para dizer o que achei!!! Não fica melhor do que isso….Mas no meio de tudo recebi o convite para ser repórter de moda na Revista Estilo, que ia ser lançada ainda, estava no projeto. Não resisti, porque meu sonho sempre tinha sido escrever sobre moda. Aí começou minha vida nesse mundo… E nunca mais abandonei. Larguei tudo pelo blog porque não dá pra realizar seu sonho antes dos 30 e ficar parada. Eu inventei um desafio novo e um sonho novo heheeheheh.

MG – Como você vê a Juliana Ali daqui a 10 anos?

Juliana – Rica? Não, brinks hahahahahaha Claro que rica seria bom, mas na verdade tenho tudo o que quero já. Só quero que o mundo deixe eu continuar a ser blogueira. Porque eu tenho amado muito. Se não der, me reinvento de novo.

Ping Pong com Juliana Ali

1. Uma comida – BRIGADEIRO HAHAHAHA

2. Cinco Filmes – Pulp Fiction (se fosse só um, seria esse), Brokeback Mountain, Secretária, Almost Famous e Tropa de Elite.

3. Cinco livros – Lolita do Nabokov, a obra de Fernando Pessoa, 64 contos de Rubem Fonseca, qualquer coisa já escrita pelo Shakespeare e… as tirinhas do Calvin & Haroldo!!!

4. Cinco bandas ou/e artistas da música – Guns, Jeff Buckley, Bruce Springsteen, Nine Inch Nails e Pearl Jam.

5. Melhor CD que já ouviu na vida e o que mais combina com você – Sacanageeeeemmmmmm!!!! Ai ai assim você me mataaaaaa! Vou tentar. Só dois discos, morri. Vamos. Melhor CD: Apetite do Guns; Mais combina comigo: New Jersey do Bon Jovi hehe.

6. O que toca no seu “radinho” – Depende muito do meu humor, então vou falar o que estou ouvindo enquanto te respondo essa entrevista. É uma playlist muito feliz que tem Quiet Riot, Muse, Blondie, Tom Petty, Pretenders, Cure, Twisted Sister, Tegan and Sara e Garbage.

7. Hoje é dia de rock bebê ou todo dia é dia? – TODO DIA, O DIA TODO!!!
Convidamos Juliana a participar de um brincadeira divertida com algumas imagens de pessoas famosas e seus estilos para serem comentadas:

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MG – Lady Gaga: extravagante ou com personalidade?

Juliana – Detesto o look da Lady Gaga e adoro looks extravagantes. Ela não é extravagante. É só uma Madonna wannabe que passou dos limites. Não vejo personalidade nenhuma nela.

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MG – Taylor Swift e seu jeito de menininha comportada ?

Juliana – A Taylor Swift é doce e bonitinha, mas é o próprio exemplo do igual. Quem aguenta mais uma loirinha magrela de nariz pequenininho e cara de barbie?

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MG – Corpse Paint e seu estilo com de metais e spikes:

Juliana – I LOVE IT. É forçado? É, mas faz parte do estilo. É agressivo? Super, mas faz parte da persona. Eu vou usar essa porra? Não, mas no palco fica um luxo!!!

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MG – Uniformes em shows (tipo o After forever) é valido?

Juliana – Uniformes em shows, é valido? Claro! O uniforme é mega cafona, mas faz a gente rir. Se a banda se levar muito a sério, aí não vale. Tem que ser meio piada, meio estilo.

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MG – Poison, estilo glam e anos 80. Mulets, cabelões e roupas coloridos e ombreiras? é algo datado ou alguma coisa pode ser aplicada nos tempos atuais ?

Juliana – Não acho que dá para aplicar hoje em dia, mas as bandas de rock nunca foram tão ESTILOSAS quanto eram nessa época. Era tudo perfeito!!! Isso é rockstar, bebêeeeeeee Amo para o resto da vida.

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MG – Restart: O pessoal reclama muito dos coloridos atuais, mas não é uma forma de reviver um pouquinho os anos 80? Será que daqui a 20 anos não existirá um certo saudosismo como existe hoje por parte de quem viveu na década de 80 ?

Juliana – Claro! Não vou xingar os looks do Restart nunca! Não curto o som nem um pouco, mas acho que só o fato de as roupas deles causarem tanta polêmica já é um ponto para eles. Vamos ser originais, minha gente!!!

Nota: Quem quiser conhecer o blog da Juliana pode acessar o link http://julianaeamoda.com/


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