The Won’t Stay Dead

Nos últimos tempos, produções com enredos dilacerados por dentes podres de zumbis têm aumentado. Conheça a origem da febre dos zumbis no cinema e na literatura.

Hoje, o atual queridinho da galera é a série televisiva “The Walking Dead”. Muitos nunca leram a HQ, que particularmente, acho muito mais empolgante e envolvente.

Gamers, desde o século passado (parece uma época tão distante) se deleitam estourando miolos de zumbis em jogos como “Zombies ate my neighbors”, os trocentos “Resident Evil” ou “The Walking Dead: The Game”.

O objetivo deste artigo é falar sobre o início desse mito que invadiu nosso imaginário, inspirando filmes, livros, jogos, moda e até passeatas (estive na edições da Zombie Walk SP em 2010 e 2011). Segundo vários filmes que trazem essas personagens tão carismáticas quanto terríveis, determinando que o outbreak (surto ou revolta zumbi) foi causado por armas biológicas, sondas espaciais, mordidas de animais feios pra caramba, possessão, práticas de vodu ou bruxaria e o apocalipse bíblico. Muitas produções também não explicam nada.

Para produzir um filme de monstros quando se tem baixo orçamento força a equipe a bolar uma história simples e procurar algo que possa representar medo, mas sem gastar muito. Nada melhor e mais fácil que pegar um ator e, usando pouca coisa, transformá-lo num zumbi. É fácil criar uma “receita de zumbi”: pegue um ator, uma camisa rasgada, um punhado de terra, sangue cenográfico e o oriente a grunhir e a andar se arrastando atrás da mocinha. Pronto, agora é só assar por uns, 90 minutos!

Entretanto, como todas essas histórias de zumbis em tantas plataformas diferentes foram inspiradas?Qual sua origem? Como se alimentam e se reproduzem? De acordo com o livro “Zumbis – o livro dos mortos”, de Jamie Russel, a palavra “zumbi” foi registrada, pela primeira vez, no Oxford English Dictionary, em 1819. Antes, a palavra era muito ouvida entra os escravos sulistas dos EUA desde o século 18. Entretanto, o mito surgiu nas páginas da “Harper’s Magazine” de 1889 (procurei a edição correta, mas foi difícil), num pequeno artigo intutulado “The Country of the Comers-Back” (A terra dos mortos que voltam), de autoria de um jornalista e antropólogo amador de origem grega chamado Lafcadio Hearn. Ele viajou para a ilha de Martinica em 1887, com a intenção de estudar o costumes e o folclore local para escrever uma série de artigos.

 

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Ainda, segundo Jamie Russel, outra publicação colocou em pauta o zumbi. Em 1929, foi publicado o livro “A Ilha da Magia: fatos e ficção”, de autoria do jornalista e aventureiro estadunidense William Seabrook. A obra relata a viagem que o autor havia feito, um ano antes, ao Haiti. Seabrook conta que um fazendeiro haitiano chamado Polynice revelou a verdade sobre o zumbi. Além disso, com base em pesquisas e entrevistas que fez com outros haitianos, o jornalista concluiu que o zumbi era “um símbolo poderoso do medo, da desgraça e da perdição”. O mito é fruto da união das antigas crenças religiosas do povo haitiano, cujas origens remontam à época da chegada só primeiros escravos trazidos da África.

 

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Lendo o primeiro capítulo de “Zumbis – o livro dos mortos”, entendi que o mito do zumbi foi originado no medo do povo local de voltar a ser escravo devido às intervenções americanas, representantes de uma nova força dominante. Haviam boatos sobre proprietários de fazendas de açúcar que dopavam seus funcionários para trabalharem sem descanso. Quando um gringo, como Lafcadio ou Seabrook, visitava a região e via um trabalhador exausto de tanto trabalhar, que não respondia ao seu contato, os rumores ganhavam força.

Na próxima postagem, começarei a falar sobre as primeiras produções cinematográficas que trouxeram esses seres apodrecidos.


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