Entrevista Girlie Hell

Bullas Attekita (vocal e guitarra solo), Julia Stoppa (guitarra base), Fernanda Simmonds (baixo) e Carol Pasquali (bateria) juntas elas formam o Girlie Hell, banda goiana de hard rock com uma “pitada de anos 80” e que flerta com o heavy metal em alguns momentos. A banda existe desde 2007 mas somente em 2012 lançou o álbum de estreia “Get Hard” que foi muito bem recebido pela crítica especializada. Abaixo você confere uma entrevista exclusiva com a baterista Carol Pasquali.

MG – A banda existe desde 2007 mas só conseguiu lançar um album completo em 2012. Como foi isso ? Fale um pouco da história da banda.

Carol: A ideia de montar a Girlie Hell nasceu em 2007, mas a banda começou a tocar em eventos apenas em 2008. Entre esse ano e 2010, a banda sofreu algumas mudanças de integrantes, e só em 2011 conseguimos aprovar um projeto na Lei de Incentivo Municipal de Goiânia e, assim, gravamos o “Get Hard!”. O álbum foi concluído ainda em 2011, porém só pode ser lançado em 2012.

MG – O cd foi lançado pelo selo Monstro Discos. O trabalho de distribuição e divulgação do álbum por parte da gravadora está sendo satisfatório para vocês ?

Carol: A Monstro Discos é uma parceira muito boa para nós! Além de todo o orgulho de ter um cd lançado pelo maior selo independente do país (que leva esse título há vários anos), que lançou várias bandas importantíssimas da música brasileira, nós carregamos a responsabilidade de compor o casting Monstro. Eles distribuíram nosso disco, fizeram (fazem!) um trabalho muito bacana de imprensa, além da assessoria de shows da banda.

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MG – O Girlie Hell é uma banda formada apenas por garotas. Isso foi proposital ou ocorreu naturalmente ?

Carol: Foi proposital, mas ao mesmo tempo foi natural para nós. Com exceção da minha pessoa (que não frequentava a cena do rock goiano antes da banda), todas as meninas já tinham experiência com bandas, já conheciam a cena local, frequentavam eventos, conheciam (e até eram, no caso da Bullas) produtores e, naquela época, a cidade tinha várias bandas formadas por mulheres (ou tinham mulheres integrantes). Isso atraiu e fortaleceu a ideia de montar uma banda só de mulheres. Mas isso não fez com que aceitássemos ‘qualquer pessoa’ na banda só por ser mulher. Sempre prezamos pela amizade, união e talento na hora de formar a banda.

MG – Cantar em inglês foi algo planejado para atingir o mercado internacional ?

Carol: Nãaaao. Nada disso! Cantar em inglês também foi muito natural na Girlie Hell. A grande maioria das influências da banda são estrangeiras e 99,9% delas cantam em inglês. Tocar esse estilo, ouvindo o que a gente ouve, sempre trouxe o inglês na bagagem. Essa história de ‘cantar em inglês porque cola mais lá fora’ é furada nos dias de hoje! Já fez muito sentido, mas hoje, minha opinião pessoal, é que não determina o sucesso de ninguém. Muito pelo contrário! Pode ser um tiro no pé! Cantar ou escrever errado em outra língua só pra tentar a sorte não resolve! Admiramos MUITO quem consegue tocar rock pesado com letras em português. Para nós, a música flui melhor assim.

MG – As músicas da banda são todas composições próprias. como ocorre o processo de composição ? Existe uma mente por trás das letras ou são contribuições de todos ?

Carol: Todo mundo compõe na banda, mas a mente por trás da maioria das melodias é a Bullas. O processo é bem livre, a gente não tem receitinha pra compor. Do “Get Hard!”, por exemplo, tem letra de todas e algumas melodias (ou parte delas) feita pelas três (porque eu só consigo escrever letras mesmo hehehehehehehe). Atualmente a Bullas tem aparecido com coisas mais concretas já. Ela tá numa fase extremamente criativa e acompanhar isso é muito legal!

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MG – De que falam as músicas ? Como vocês definem o som da banda ?

Carol: As músicas falam da gente, de experiências que passamos, sentimentos e coisas assim. Não sei se a gente consegue definir o som da banda… é uma mistura muito louca! Cada música flutua entre dois ou três estilos. Winter é um bom exemplo disso… Mas se for pra escolher, podemos dizer que estamos cada vez mais pro lado do Metal.

MG – Em meados de 2012, vocês lançaram o primeiro videoclipe (da música “Fire”) que foi produzido pela produtora da baixista Fernanda Simmonds. Como foi a recepção do vídeo ?

Carol: Foi surpreendente! Foi uma produção completamente independente. Não tivemos ajuda de grana nem de nada! A Fernanda montou a equipe, o roteiro, a Bullas conseguiu a locação, dividimos os gastos… E no fim o resultado foi fantástico! Adoramos! E o vídeo superou todas as expectativas! Passou na MTV, na PlayTV e outro canais também, e hoje tem mais de 16.500 visualizações no YouTube. É um número muito alto pro que esperávamos!

MG – Recentemente foi lançado o segundo clipe de estúdio da banda “Winter”. Como foi a produção do clipe ? também foi produzido pela produtora da Fernanda ?

Carol: Winter é outra história. Outro lado da banda. Buscamos novos ares, novos olhares sobre o nosso som e a nossa imagem. Fomos até São Paulo para achar isso no Marcello Pompeu e no Heros Trench, do Mr. Som Estúdio, que produziram, captaram e mixaram a música, e no Mess Santos e sua equipe da Movie3, que dirigiram e produziram o clipe. Foi filmado num terreno abandonado gigante, com uma equipe super profissional. Foi uma experiência bem diferente para nós.

 

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MG – O mercado musical encolheu muito nos últimos anos, a venda de cds caiu drasticamente e muitas lojas fecharam. Como vocês encaram os downloads ilegais? Existe algo de positivo nisso como tornar o trabalho da banda mais conhecido no Brasil e exterior e ocasionar mais shows ?

Carol: Eu vejo de forma diferente. O mercado mudou, o jeito de consumir música atualmente é completamente diferente de 15, 20 anos atrás. Na verdade, cd nunca deu dinheiro. A não ser que você seja a Ivete Sangalo. Ou o Gustavo Lima. E olha lá! (pq essa grana na verdade vai pra gravadora… mas enfim, essa não é a discussão!) Músico, em geral, vive da apresentação. Gravar é uma consequência do que é feito ao vivo. É vitrine do trabalho. Hoje o músico TEM que estar na internet pra se mostrar. Isso exige que se tenha muito mais material do que antigamente, pois a internet é muito mais efêmera. As coisas expiram muito mais rápido. Tem um lado ruim, pois as pessoas não curtem mais música como antigamente. Elas escutam enquanto trabalham, escrevem, leem… não dão mais 100% de atenção. E também existem milhões de bandas e músicos. Tem que saber selecionar.

O download hoje não é ilegal. Nosso cd pode ser facilmente baixado. Onde? No nosso site. Ou no nosso perfil do SoundCloud. Em ‘high quality’. Vender cd não dá dinheiro. Nós queremos que as pessoas escutem nossa música, aprendam a cantar, tenham a música favorita e aquela que ela passa pra frente toda vez que começa. E também queremos que a pessoa vá no show, use uma camiseta da banda, peça palhetas e restos de baquetas quebradas e que acorde no outro dia com o pescoço doendo de tanto bater cabeça! Com o download, qualquer um pode ouvir Girlie Hell em qualquer lugar do mundo! Isso nós nunca alcançaríamos se dependêssemos da distribuição do cd. E isso é, definitivamente, o lado positivo da coisa!

MG – É possível viver unicamente de música no Brasil ? As integrantes da banda tem empregos paralelos ?

Carol: É possível, sim. Conheço músicos que (sobre)vivem disso. Não é o nosso caso. Temos empregos paralelos. A Júlia é tatuadora, a Fernanda é redatora e eu e a Bullas somos designers. E eu ainda me arrisco de fotógrafa.

MG – Vocês notam algum tipo de preconceito do público masculino por ser uma banda formada apenas por meninas ?

Carol: Não só do masculino! hehehehe Incrível, né? Mas ainda acontece. E muito! Mas a gente já sabia que não ia ser fácil… a gente só se surpreende porque às vezes é mais difícil do que imaginávamos.

MG – Quais são as maiores influencias da banda no cenário nacional e internacional ?

Carol: No cenário nacional acho que o que mais influenciou a Girlie Hell foram bandas como Dominatrix, Mercenárias e bandas que fizeram parte da adolescência roqueira e ‘revoltada’, como os goianos do Rollin Chamas, Mechanics e MQN. Internacionalmente, o que ouvimos pra tirar alguma lição são Kittie, L7, Girlschool, Joan Jett, Deftones, Mastodon, Crucified Barbara…

MG – No final de 2012 vocês fizeram uma mini tour no Brasil ao lado das suecas do CRUCIFIED BARBARA. Como surgiu essa oportunidade e como foi abrir os shows delas no Brasil ?

Carol: Opa, falando nelas… hehehehehe! A Monstro apareceu com essa surpresa pra gente! Eu quase caí da cadeira! hahahahaha Tocar com elas, conhecê-las e pegar um pouco da experiência delas, de como as coisas funcionam lá fora, foi impagável!

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MG – E com relação ao exterior ? Como anda a carreira internacional do Girlie Hell ? A banda já recebeu algum convite para tocar no exterior?

Carol: Nada lá fora, por enquanto. Mas temos visto uma repercussão surgir, bem timidamente. O exterior não é o nosso foco de marketing, então o que vai pra fora é bem espontâneo. Deu uma crescida (e espalhada) quando aparecemos no portal Metaladies.com, que até sorteou 3 cds nossos. Foi uma ação bem legal. Mas ainda não rendeu uma turnê fora.

MG – Quais são os planos para o futuro ?

Carol: Os planos são gravar as músicas novas e ter mais novidades o mais breve possível, antes da internet ‘envelhecer’ precocemente nosso filho caçula, Winter.

Para conhecer mais sobre a banda acesse os links abaixo:

 

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