Entrevista DZ Mc’s

Aos 23 anos de idade, Deize Lorreto é considerada atualmente a diva do eletrofunk. Na entrevista a seguir, iremos conhecer um pouco mais dessa carioca com corpão de parar o transito, rostinho meigo, carisma incrível e dona de uma das mais belas vozes do Brasil.

MG – Você é Carioca, de Duque de Caxias, mas a “gema” do Eletrofunk e a Eletrofunkbrasil são de Curitiba no Paraná. Como é a sua relação com Curitiba? você ainda mora no Rio? vai muito ao Paraná?

DZ – No início foi difícil me acostumar com o clima, mas eu adoro o Paraná, fui muito bem recebida. Só tenho um relacionamento não muito legal com o frio, rsrs. Vou sempre a Curitiba, já me sinto até uma Curitibana, estou ficando cada vez mais branca, pegava bastante sol quando só ficava no RJ e agora estou desbotando, mas digo que agora estou da minha cor natural. rsrs

MG – Como anda a aceitação do Eletrofunk no Rio? Existe uma rivalidade entre o funk tradicional e o Eletrofunk? O publico é 100% o mesmo do funk ou você sente que o Eletrofunk atingiu um pessoal que não gosta do funk tradicional?

DZ – Na verdade o Eletrofunk hoje em dia é o chamado Funk pop que falam no RJ, o funk melody antes não tinha esses elementos de música eletrônica que hoje eles colocam em várias músicas. Eu não diria que existe rivalidade, mas no RJ tem aquilo de “ah se eles estão fazendo eu também sei fazer” sabe, mas a cada dia o Eletrofunk está alcançando um espaço maior. No RJ em alguns lugares já estão tocando também.

MG – Você e a Mayara (Mc Mayara) realizaram muitos trabalhos juntas, são da mesma produtora e parecem ser muito amigas. Como é a relação de vocês? Podemos esperar mais vídeos engraçados da dupla no youtube?

DZ – Sim, nós fazemos um programa de web rádio juntas, e nos damos muito bem. Nos intervalos do programa a gente sempre falava um monte de besteira, e riamos muito então eu tive a ideia de fazer esses vídeos, mas não somos vlogueiras nem nada. Começaram como uma brincadeira, e está dando muito certo, as pessoas adoram rir na internet né.

 


“Casada com a noite” clipe mais recente com a participação da MC Mayara

 

MG – Em meados de 2013, no auge da onda de protestos no Brasil, o pessoal da Eletrofunkbrasil fez um vídeo com a música “Que pais é esse” da Legião Urbana em ritmo de Eletrofunk . Foi um vídeo genial a meu ver e atingiu um número de visualizações incrível em pouco tempo mas a galera do rock parece que não gostou muito. Como foi a repercussão? Vocês ainda recebem criticas pelo vídeo?

DZ – Acho que as críticas foram até de uma forma fundamental para que o vídeo tivesse essa repercussão que teve, é natural fãs de um gênero musical não gostarem de outro, e nós já fizemos o vídeo sabendo que aconteceria isso. Só não concordo com o preconceito que as pessoas tem, dizendo que o funk não possa ter músicas de protesto, e o Hino do funk que todos cantam é a mais clara forma de protesto que é “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci.” É uma crítica ao governo e a desigualdade social que o nosso país vive. E fizemos o que ninguém teve coragem de fazer, no nosso meio musical. Não é porque somos funkeiros que não podemos cantar outros gêneros, eu canto músicas lentas, adoro ouvir anos 80 e isso faz com que eu tenha mais influencias na hora de criar minhas musicas.

 


Versão Eletrofunk de “Que Pais é esse”

 

MG – Você acha que o brasileiro é meio ingrato? Endeusam divas gringas como a Beyonce, Miley Cyrus e a Lady Gaga que usam e abusam da sensualidade e meio que fazem até uma apologia as drogas e chamam de putas qualquer brasileira que use um shortinho ou dance de forma mais sensual ?

DZ – Acho que sim, também sou fã delas, mas acredito que os brasileiros na maioria das vezes nem sabem o que elas estão cantando, e tem aquilo de que tudo que é de fora é melhor, um falso patriotismo, que criticam muito mais do que apoiam. Um exemplo mesmo é a copa do mundo, existe no brasileiro uma grande contradição, dizem que se orgulham de serem brasileiros, mas criticam quando acontece alguma coisa fora dos padrões que “acham certos”. Nós temos grandes artistas e de muita qualidade no Brasil, mas o gramado do vizinho sempre é mais verde.

MG – Você usa a internet como um grande meio de divulgação do seu material e posta várias coisas em que as pessoas podem comentar. Você costuma ler os comentários? Como lida com as criticas e os trolladores e haters que só sabem xingar?

DZ – Sim, eu leio tudo que escrevem, mas muitas vezes não respondo e não dou muita importância. Existem os haters que só entram para xingar mesmo, mas também tem os chamados “fãs encubados” que criticam pra tentar chamar a sua atenção, e quando você responde eles falam “ahh sou seu fã”. Já me importei muito com tudo que falavam, hoje eu respondo mais as pessoas que tem um embasamento pra falar, não aquela que fala “ahh você é feia”, porque tem gente que precisa disso pra se sentir melhor, respeito a opinião dos outros desde que tenha algum fundamento.

MG – Em 2009 você gravou a música “Não da Mais” que conta com a produção do DJ Romeno Edward Maya e foi a música que revelou você ao mundo. Como você conseguiu contato com ele ? A letra é de sua autoria?

DZ – Na verdade foi uma versão que fiz, mas com autorização dele. A letra é de minha autoria, foi a minha produtora que entrou em contato com ele, e acredito que tenha ajudado ele a fazer bem mais sucesso aqui no Brasil, porque na época que eu fiz a versão ninguém conhecia a música, e nem vídeo no youtube tinha; achamos essa música num site desconhecido. Porque ouviam a minha e começaram a procurar a original.

 


“Não da mais” letra autoral que ajudou a aumentar o reconhecimento do publico em 2009

 

MG – Analisando o seu trabalho ao longo dos últimos 4 anos, podemos ver que a musicalidade mudou um pouco. Antes era mais eletrônica e freestyle e agora é mais eletrofunk. Como ocorreu esse processo? Foi algo natural ou ocorreu devido ao seu trabalho com a Eletrofunkbrasil?

DZ – Quando comecei, eu cantava funk melody, adorava freestyle apesar de não ser nada da minha época, o eletrofunk eu conheci quando eu fui pra Curitiba, e um dj que produzia me pediu pra gravar umas músicas pra ele, só que antes era uma música bem amadora, hoje eu continuo fazendo Eletrofunk, mas com músicos profissionais que possam pôr em pratica minhas ideias em composição e produção, coisa que antes não acontecia e eu não tinha liberdade de criação por ser uma música amadora feita por pessoas que não entendiam muito.

MG – Como você vê o compartilhamento de arquivos de música atualmente? Existem apenas pontos negativos como a baixa venda de cds ou também existe um ponto positivo como a divulgação em âmbito nacional e internacional?

DZ – O mercado fonográfico nesse sentido é bem complicado para a venda de cds, mas eu sempre trabalhei com internet, as pessoas sempre baixaram minhas músicas grátis e nos meus shows eu distribuo cds. Me preocupo em ganhar dinheiro mais com os shows do que com venda de cds. E hoje com a internet, pessoas do mundo todo conhecem meu trabalho, minhas músicas tocam em alguns lugares na Inglaterra, Portugal e Suíça graças a Internet, ajuda muito.

 

 

MG – No seu site e no site da eletrofunkbrasil é possível encontrar o cd completo para baixar inclusive no mediafire. É uma forma de conviver com a pirataria e os downloads ilegais?

DZ – Acho que todo meio de divulgação é válido, e também é uma forma de combater a pirataria, porque quem vai comprar um cd, mesmo pirata se pode baixar grátis em todas as minhas redes sociais.

MG – O álbum “To de volta” É o seu primeiro cd? é possível encontra-lo em mídia física para comprar?

DZ – O álbum tô de volta é meu segundo cd, o primeiro profissional foi o “Buscando Inspiração”, tem um EP dele no Itunes pra baixar, e também para download virtual que liberamos esses dias, em breve vamos vender em algumas lojas licenciadas, mas para terem o cd físico mesmo, porque eu já liberei a máster completa para baixar grátis.

MG – Você costuma compor muito? Do seu álbum atual, quantas musicas possuem letras autorais?

DZ – Componho sempre, esse álbum é todo autoral, só tem uma música que não é composição minha.

MG – Em 2011 você fez uma turnê internacional. Em quais países você passou? Como foi a aceitação do estilo lá fora?

DZ – Passei por Portugal, Holanda e Amsterdã . A aceitação está cada dia maior, o Brasil está sendo mais valorizado lá fora.

 

 

MG – Assim como a Anitta, você também começou cantando na igreja. Você é muito comparada com ela? Acredita que ela contribuiu para levar o funk ao publico em geral e não somente aos fãs do estilo?

DZ – As pessoas comparam bastante, mas acho que não tenha muita coisa haver, mais por ser do mesmo gênero musical, e por eu ser carioca também, acho ela muito talentosa. E o funk ficou mais elitizado por passar em horário nobre na novela, o funk deixou de ser uma música de gueto e hoje toca em todos os lugares.

MG – Quem são os seus ídolos na musica internacional e nacional? O que você costuma ouvir no tempo livre? (ou não existe mais tempo livre?)

DZ – Eu ouço de tudo, adoro ouvir músicas antigas, freestyle como Stevie B, Lil Suzy, sou muito fã de Beyonce, Rihanna, Janele Monáe, Lulu Santos, Tim Maia, Joss Stone, Boys 2 men entre outros. Ando sempre com meu fone pra qualquer lugar que eu vou.

MG – O funk tradicional faz um uso constante de palavras de baixo calão mas nas suas musicas e no eletrofunk em geral o uso de palavrões é evitado. Isso é proposital para atingir mais pessoas e para diferenciar o estilo?

DZ – É sim, no meu trabalho eu me preocupo em passar uma mensagem legal e que não seja agressiva pra ninguém, tenho muitos fãs criança e penso no exemplo que estou passando sempre. No RJ também não são todos, tem o mc koringa, mc marcinho, buchecha entre outros que também fazem um funk de qualidade, não tem como generalizar. Tem também o funk montagem que tem as batalhas de passinho que eu adoro dançar que falam mais da dança. E acho que isso possa se atribuir a todos os gêneros não só ao funk.

MG – A maioria das letras e a atitudes pregada no eletrofunk é da mulher sensual, independente e com os mesmos direitos que os homens, mas algumas pessoas insistem em dizer que o uso da sensualidade é uma objetificação da mulher. Como você encara isso?

DZ – A mulher tem que usar o que ela foi predestinada a ser, a mulher nasceu para ser sensual, e a cada dia o espaço da mulher na sociedade está maior, temos os mesmo direitos que os homens, mas acho que nem tudo que um homem faz é legal e deve ser feito pela mulher só porque os homens fazem. Acho que o erro da mulher está ai. Exemplo, para um homem sair na noite e ficar com várias mulheres, também não é bonito, e a mulher não tem que fazer o mesmo porque eles fazem. Elas tem que pensar se isso vai valer a pena e se ela acha legal isso, pensar antes de agir.

 

DZ fazendo o estilo “femme fatale” em um show

 

MG – Na musica “Teoria da Branca de neve” da MC Mayara uma frase diz “Por que só ter um, se eu posso ter sete?” você acha válido isso ou acredita na opção mais tradicional de namoro? Não é uma hipocrisia um cara ficar com 3 gurias na balada e ser visto como “fodão” pelos amigos e essas mesmas pessoas chamarem uma guria de puta se ela fizer o mesmo?

DZ – Com certeza, se a mulher quer fazer isso ela tem o direito de fazer sem ser julgada por isso. Mas o cara ficar com três meninas a meu ver também não é legal. Nem tudo que o homem faz a mulher tem que fazer porque tem os mesmos direito. Mas se ela quer, está bem resolvida quanto a isso ninguém tem nada a ver com a vida dela.

MG – Você se imagina casada e com filhos em um futuro distante?

DZ – Sim, eu amo criança, acho que seja por isso que eu tenha muitos fãs pequeninos, eu fico até meio boba com elas rsrs.

MG – Deixe uma mensagem para os seus fãs.

DZ – Vocês são a razão de tudo que sou hoje, me dão muita força em tudo e fazem eu querer ser a cada dia uma pessoa melhor !! amo todos vocês, dos mais próximos aos mais distantes e os que ainda vou conquistar.

 

 

Ping-Pong com a DZ

1 – Filme Favorito
de repente 30

2 – Um ator
Tony Ramos

3 – Uma atriz
Regina Duarte

4 – Livro Favorito
As esganadas (Jô soares)

5 – Cite 3 coisas que você levaria para uma ilha deserta.
Um livro, meu ipod, um diário.

6 – Uma música
Buscando Inspiração (minha)

7 – Uma frase
“Cuida-te para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio”.

8 – Um sonho
Levar minha música pra um público cada dia maior e não perder nunca a minha essência.

9 – Um medo
De rato

10 – Você por você mesma (como se definiria?)
Sou boba, vejo tudo com humor, chorona, ciumenta, falo sozinha, perturbo meus amigos o tempo todo e adoro chocolate.


 
 

Download dos Albuns

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